sexta-feira, 25 de julho de 2008

Os 98 Bastardos


Era domingo e o boteco do Bené pegava fogo. As donas-de-casa dos dias de semana e os maridos bêbados de todos os dias de Fla-Flu sambavam ao som de um doído pagode. Era um tal de tentar flertar com as antigas putas rebombeiras que o bairro escondia, sentar no colo dos cobradores de ônibus que curtiam sua folga e de cantar aos altos pulmões a simplicidade das letras impregnadas do amor chulo. Era além de tudo feriado e só o bar do Bené abrira as suas enferrujadas portas de ferro. De fato, era uma alegria que contagiava toda a massa. Era até bonito vivenciar algo do gênero. Muitas das almas que lá estavam, não compartilhavam a mesma felicidade em outros aspectos ou outros momentos.

Mercadinho, padaria, locadora... Tudo fechado. Somente o botequim dirigido pelo já famoso Bené sobrevivia a um feriado no domingo. Os crentes já se agitavam com o culto que estava para chegar, os homens já aqueciam suas gargantas para gritos de “filho-da-puta” contra o juiz ou ao craque que perdeu um gol e as mulheres já preparavam os mesmos palavreados para a falta de atenção dos mesmos homens, quando eu, que estava bebendo em uma das mesas junto a dois amigos vi a chegada de um antigo vizinho. Homem rigoroso com os filhos, com a mulher e o trabalho, seu Joel era um indivíduo bem peculiar. Falava tranquilamente, se expressava com certa cautela e pensava suas palavras, justamente para não se ver misturado a gentinha que atolava o bar. Para ele, que gostava mesmo era de música estrangeira, mesmo sem conhecer quase nada nem das histórias e das letras, era o que prestava. Aquela melação não era nem para homem. Esse negócio de ficar que nem mulherzinha com cabelo cheio de goma e rebolar, não fazia parte da vida de seu Joel. Aquela merda toda era falta de vergonha, isso sim.

E lá estava seu Joel, entrando naquela barraca cheia de gentinha.Como todo estabelecimento de bem estava fechado, o jeito era compra a coca-cola do almoço lá na birosca do Bené. E seu Joel já entrou com a cara amarrada de estar naquele antro. Já foi logo pedindo licença de cabeça baixa para não trocar olhar com gente daquele porte. Mas mesmo se escondendo como um rato que foge de uma vassoura voraz, foi reconhecido e cumprimentado e com louvor por um dos nossos vizinhos, Luís Joelho. Luís Joelho era gente fina, mas não conseguia manter a boca calada. Havia gente que cochichava pelos cantos que era de família, pois seu pai tinha perecido de morte matada por nego que era de prestar serviço sujo aos donos da situação, só porque revelara que viu uma rapa deles aplicando um sujeito ladrãozinho perto da linha. Pois bem, seu Joel o cumprimentou e tratou logo de ir buscar seu refrigerante e sair da bagunça armada no tal botequim. Já se ia descendo a calçada, quando Luís Joelho o chamou de volta. Perguntou se seu Joel queria se sentar e tomar uma com ele e seus amigos. Seu Joel negou logo, disse que ia almoçar com a família, mas com o argumento de um copo só porque era seu aniversário, Joelho dobrou o velho Joel e o convenceu a uma cervejinha só. Quando sentou-se, o homem quase se levantou de imediato, estava lá sentado também, Cabrito, homem de muito prestígio entre gente desalmada que encomendava a alma do filho alheio ao Cão. Os filhos nunca prestavam, mas não era de direito dos comerciantes furtados exercerem essa justiça. Joel temia muito o homem, mas não o respeitava. Olhava para Cabrito como se fosse um verme. ‘Além de ser matador, esse safado também é filho-da-puta. É um bastardo’, sempre fala seu Joel.

Depois do terceiro copo, como não era muito de beber, seu Joel já estava se dando por satisfeito e até de língua solta. Falou mal do Botafogo, time do dono do bar, reclamou do som alto que não deixava os outros conversarem e pra finalizar, disse que o bairro era uma merda e que era capaz de encontrar em vinte e quatro horas é capaz de nomear cem bastardos para a rapaziada se divertir as custas. Mal sabia seu Joel, mas o desafio foi aceito logo por Cabrito, que coçava os dedos e buscava na cerveja esfriar a cabeça pra não puxar a arma para aquele paraíba metido a ‘Zé Pureza’. Cabrito foi logo dizendo em tom de ameaça:

- Esperto isso que o senhor disse. Quero ver fazer mesmo. Quero ver me dar nome de cem filho de chocadeira daqui do Nova América.

- Se to dizendo que faço, não preciso da tua voz pra fazer. Se duvida, arruma papel e caneta que lhe dou nome e endereço dos bastardinhos e das puta véia.

- Então meu bom... aguarda aí que logo trago o que tu me pediu.

Voltava Cabrito de dentro do boteco do Bené trazendo uma caneta e uma penca de guardanapos para o já desestimulado seu Joel, a cerveja já começava dar lugar a adrenalina de dizer não a uma coisa que um homem daquele havia levado para o pessoal. A tensão aumentou enquanto o dito cujo avançava para a mesa onde Joel, Luís Joelho e mais alguns outros estavam sentados. Joel tratou logo de dizer que não era para Cabrito levar nada para o lado pessoal e que ele já estava alto com os copos de cerveja, sem falar que a mulher ainda o aguardava com o refrigerante para o almoço. Logo um grito irrompeu deixando todos os fregueses de olhos esbugalhados. Cabrito tava com o trinta e oito na mão, mandando o paraíba sentar. O sangue nos olhos do matador e a saliva saltando da boca.

- Agora tu vai escrever essa porra. Tu não sabe de que saco meio bairro veio? Não ta aí todo cheio de maldade falando dos outros? Então escreve filho-da-puta, diz aí quem é cria de chocadeira. Fala de mim e da minha finada mãe pra voce ver como não lhe acerto os cornos.

Indignado com o acontecido, Bené e a turma do deixa disso foram logo entrando em ação para acalmar os ânimos. Mas para piorar, seu Joel decidiu ser corajoso logo naquele dia e xingou o matador de tudo quanto foi nome ruim. Os homens do bar tentaram impedir que tudo recomeçasse. Mas Luís Joelho foi logo gritando:

- Deixa, não é de hoje que Cabrito quer resolver isso. Aquele filho novo do Joel é dele. O moleque é do Cabrito, deixa os dois resolverem que nem homem, porra.

Fez-se silencio imediato no bar inteiro, no cenário, o tempo havia parado. Ninguém parecia saber que o Cabrito, que andava condenando almas que ajudaram no adultério da esposa alheia, estava comendo a mulher do seu Joel. De repente um estampido. Corre, corre e Luís Joelho se esvaindo em sangue caído e morto no chão. Só quem restou no bar, foi Bené, o dono, Joel e Cabrito e o falecido, o bocudo Luís Joelho. Fim do segredo, em Nova América, todos eram bastardos. Todos mesmo.

Dos nomes que seu Joel se lembrava dentre os filhos de chocadeira, ele tinha certeza de noventa e oito. Mas faltavam dois para os cem propostos, e esses podia ser contatos com o próprio filho, de meses e ele próprio, já que a sua mãe quando saiu da paraíba foi parar nas bocas de Santos e era amante de cantor famoso. Dizem que era o Nelson Gonçalves. Mas no Nova América, neguinho fala de todo mundo.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Será tudo um sonho?


Essa madrugada tive a ligeira impressão de não estar sonhando quando, na verdade, eu estava. Vou explicar melhor... É complicado de entender mesmo, mas eu estava sonhando, de fato, com uma cena que já tinha acontecido há uns dias atrás. Eu brigava com as minhas priminhas por elas estarem satisfazendo a curiosidade no controle do vídeo game, o que é um crime quase sem direito julgamento no meu país - o meu quarto - e isso culminou na expulsão das perigosas menininhas. Foi exatamente com isso que sonhei. Incrível a riqueza de detalhes com que o sonho copiou a antiga cena. O trabalho do subconsciente foi muito bem feito. Tão bem feito que, como eu estava cochilando no sofá onde os controles estavam jogados, acordei com as mãos por cima deles e com as pupilas dilatadas - assim me imaginei - e quase esbravejante. Me deixou muito curioso também esse fato, por mais que eu tenha expulsado as gurias, não fui rude. Ao contrário, segui uma linha sutil e lembrei que no sonho esbravejei como um louco. Não faço idéia do que aconteceu para eu ter esse sonho tão 'diferente', mas eu desejei imediatamente refletir sobre esse acontecido e achei dois pontos em questão. Um foi 'será que isso é desejo reprimido?', e aí eu seria um monstro. O outro ponto foi 'será todaa vida um sonho?'. Eu sei que isso é muito, mas muito mesmo contra qualquer originalidade, mas e juro que me ocorreu essa questão. Sabe-se lá o que eu estava pensando na hora e até mesmo o que penso agora, mas fiquei com uma impressão terrível que eu não vivi esses momentos, que eles simplesmente passaram por mim porque a minha mente os determinou.
Bem, é loucura voltar depois de exatamente um mês com um texto que questiona o sentido da vida de forma tão superficial. Mas vocês devem saber como é final de período de faculdade e como é sonhar com coisa tão esquisita. Ou pelo menos já viram filme. Não é? Estão me lendo? Existem...?

sábado, 24 de maio de 2008

10 para 20



Hoje o texto não terá profundidade. Não será algo de que o Estorieta possa realmente se sentir orgulhoso de ter alguém que nele escreve, assim, tão bom. O texto desse dia 24/05/2008 é comemorativo. Nesse dia, há 20 anos atrás eu estava nascendo e eu não me lembro como era. Mas eu lembro de hoje. Sei quais serão as cobranças daqui pra frente, as mudanças... Talvez não saiba como lhe dar. Eu ainda não me sinto com 20 anos. Nem ao menos sei identificar como se dá esse processo em que se fica mais velho, os desejos aumentam de uma maneira tão perigosa que jamais poderei deixar de não ficar atento e de, supostamente entrar pra fila da responsabilidade. Não sei nem ao menos se isso se dá dessa forma. Tenho tanto medo do futuro que cordialmente alcanço o presente com a preguiça de quem não quer chegar lá. Não quero fazer de cada dia 24 de maio daqui pra frente um calvário, porém, seria de extrema utilidade que eu realmente me fizesse sem rumo, como uma pedra rolando.
A originalidade de se ter 20 anos é tão magistralmente defeituosa que chega a parecer balões de festa que já estão furados desde antes dos sacos serem abertos. Quero dizer, exceto aos que morrem antes, todos nós fazemos 20 anos. Cristo fez 20 anos, Marx, Bob Dylan e Emiliano Zapata também. Todos fizeram coisas brilhantes e bem originais, mas todos fizeram 20 anos igualmente, como um grande supermercado ou drogaria. Nem esse texto é original. Bem, as palavras de certo são minhas, mas eu surrupiei o título e o que vem a seguir do Zeca Camargo que fez algo semelhante no blog dele quando ele estava completando algum aniversário na casa dos 30. Trinta é mais difícil que 20. Mas também não é tão original quanto se parece. Contudo, seria uma hipocrisia completa dizer que não estou feliz. Estou tão feliz que escolhi dez músicas que mais me marcaram ou que o momento me revelou agora. Dez músicas para vinte anos. Nesses 20 anos, elas vieram e ficaram na ponta da minha língua e nos buracos dos meus ouvidos, buscando só serem alguma coisa através dos meus sentimentos. Não vou numerá-las porque cada uma teve sua importância. Não vou numerá-las porque eu sou tão comum agora que elas vêm por mim tão comuns quanto eu. Não vou porque sou comum e tenho 20 anos, talvez até como você.


A Lista

Like a Rolling Stone - Bob Dylan
Eleanor Rigby – The Beatles
Todo Carnaval Tem Seu Fim – Los Hermanos
How To Desapear Completely – Radiohead
London, London – Caetano Veloso
Given To Fly – Pearl Jam
Para Abrir os Olhos – Vanguart
About a Girl – Nirvana
Sunday Morning – Velvet Underground and Nico
Espelho – João Nogueira

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Sessão Conto - A prova de Inglês


Danilo, treze anos, tentava desesperadamente estudar trancado no seu quarto. A recuperação se aproximava com a velocidade de um jato. Aliás, jato era uma palavra que não saía da cabeça do menino. Sua mãe, havia mantido seu jato de controle remoto guardado e escondido desde que soube dessa história de recuperação, ela não havia ficado nada contente. É claro que para ter seu avião de volta ele tentaria de qualquer maneira burlar aquela situação adversa pra se encontrar com seu brinquedo novamente.

A professora de inglês de Danilo era, chamando generosamente, um demônio e as suas avaliações se tornavam martírio na mão dos guris que urinavam-se de desespero. O que Danilo não sabia, era que o maior castigo imaginado por sua mãe não era deixar de pilotar seu avião, comprado pelos avós com muito custo. Nem tão pouco perder as saídas com os amigos. A mãe já havia decidido que se houvesse repetência, Danilo iria estudar um ano numa escola pública da região. Ele não sabia, mas ali, naquele quarto, sua luta não era somente pelo avião de granfino que ganhara dos avós depois de alguns anos recebendo presentes de vestir ou de comer no aniversário. Danilo lutava por sua permanência numa classe onde seus maiores medos e preconceitos se escondiam e podiam permanecer ocultos até os papos com os amigos e as brigas e peladas contra os moleques mais pobres e que estudavam no ‘Brizolão’ mais próximo de sua casa e escola.

No dia do maldito exame, foi o primeiro a acordar. Arrumou-se e tomou café com uma motivação jamais vista desde os tempos do ensino infantil, saiu adiantadamente, com a disposição em alta. Mas, bastou sentar-se à carteira para sentir o estômago dar saltos dentro de si. Observou o relógio e nem ao menos ouviu os brados de lealdade invocados pela professora, tentando alertar os alunos para que não cometessem o pecado capital da cola, ainda mais com uma professora tão rígida. Recebeu a prova. Sentiu suas mãos suando frio e o estômago agora pipocava em seu ventre. Lembrou-se do avião, da mudança de escola não, ele nem desconfiava o quão grave era a situação. E pronto! Havia começado a fazer a avaliação de recuperação em inglês.

Cada vez mais, melancolicamente via seu destino mais claro nas entrelinhas da prova. Tudo se parecia impossível de se resolver. Tudo que havia estudado no seu quarto antes, não passava de besteiras sem sentido. Para não dizer que tudo era um inferno, Danilo estava se virando com as questões mais fáceis. Porém, nas mais difíceis, e consequentemente as que mais valiam pontos, estava se arruinando e vendo sua determinação encerrar-se. Já não tinha mais jeito. Era entregar a prova e rezar por uma nota cinco. Era tudo o que Danilo precisava.

Chega o dia do resultado. Não com o mesmo afinco anterior, Danilo se dirige à escola com a esperança no coração. Ainda sem saber seu principal castigo, caminhava como um zumbi, sem perceber absolutamente nada ao seu redor. Pensava exclusivamente na sua nota. ‘Só um cinco’, pensava ele. A entrada da escola apinhava-se de alunos ávidos por suas salvações ou condenações para uma vida futura de estudos, estudos e estudos. Quando sua série foi chamada para receber o boletim, Danilo sentiu na espinha um frio dos Andes. Calou-se repentinamente e deixou o animado papo sobre futebol com os amigos para depois. Isso se houvesse depois...

Depois das piores férias da sua vida, Danilo teve de se contentar e consolar com a escola pública. Ia diariamente triste, como se fosse para uma forca. Não engolira o quatro e meio que a maldita professora de inglês havia lhe dado na prova. ‘Um absurdo!’, bradava ele. Um dia, depois de sofrer na mão dos antigos desafetos todo o tipo de ‘barbaridade’ escolar, chegou em casa aos berros

- Mãe, não quero mais voltar pra lá! Por favor, não me deixa voltar!

- Foi você quem desperdiçou a chance Danilo, não eu.

No dia seguinte, levantou-se com um comportamento muito estranho. Como no dia da prova de inglês que o levou ao fracasso, foi o primeiro a levantar-se. Foi até o quintal, colocou na mochila uma pequena lata de tinta que há tempos estava jogada num canto, pegou no banheiro um velho batom da mãe e seguiu rumo a seu martírio diário. Passou antes na antiga escola e vendo tudo fechado e ainda vazio, como previu, pintou com a tinta do avô no portão branco ‘SUNDAY MORNING, NEVER MORE’, a frase que o tinha reprovado. Seguiu então para sua nova escola. O olhar perdido de uma mente mergulhada na insanidade pairava sobre seu rosto mais que as sardas e espinhas. Entrou na nova escola como um jato, o jato que jamais conduziria de novo, e foi logo sendo importunado por seus novos colegas de classe. Pintou então, com o batom da mãe, a mesma frase que havia pintado no portão de sua antiga escola na camisa branca de seu uniforme. Foi para o alto do prédio, onde a quadra de esportes reinava absoluta no último andar. Sem ao menos explicar ao inspetor o porquê do seu uniforme pintado, fugindo as regras do colégio, atirou-se lá de cima. Caiu no gramado como um herói com a frase ‘SUNDAY MORNING, NEVER MORE’ no peito. Finalmente havia aprendido um pouco de inglês.







Guilherme Cabral




Para ler ouvindo - Sunday Morning / The Velvet Underground and Nico

sábado, 29 de março de 2008

Depois de tempos... O Amor...


Sinceramente hoje, depois de tanto tempo, venho a esse blog com uma importante e por isso problemática exaltação. Uma exaltação ao amor. Não de uma maneira superficial ou melosa, mas de uma maneira mais abragente. Uma maneira que possa fazer o leitor raciocinar sem o intuito de ajudá-lo nas escolhas ou manifestações. Uma maneira que valorize o espírito e o sentimento humano como pouco podemos ver. Uma maneira que não nos prenda somente a emoção, mas também que nos transporte as nossas próprias mentes numa viagem significativa.

Curiosamente, quando abro, aleatoriamente o amigo “Aurélio” para tirar uma dúvida, encontro a palavra “ereção” logo de cara. Isso tem a ver com o amor, mas não da maneira que quero abordar nesse texto. “Ereção ” não cabe no contexto que quero usar. Não obedece a maneira que, sem alarmes ou surpresas supera as expectativas, e nem ao menos se envolve com o sentido amplo que esse texto pretende se encaixar. O amor do qual falo, se estampa de forma simples, porém complicada. Se fortalece das angustias alheias como vírus, mas não mata... só, denigre também. Mas não pense que ele é mau por isso. Ele age de forma rápida e viril, e cruel também... porém, gosta daqueles que sentem nos defeitos do próximo um calor seguro, quase confortável e tranqüilo. O amor do qual quero falar, habita lugares inóspitos – apesar da contradição -, reside sozinho num vale inquebrantável de desejos e bons fluidos, aliás suga isso também. Desperta na mais profunda 3ª série e renasce na faculdade. Confunde as cabeças mais confusas, agride seus pesadelos repletos de melancolia e solidão, jogam os sonhos a prova. Queima o âmago da questão “viver”. Amar dessa forma é não ter medo de ser feliz. É acreditar que tudo passa da batatinha que esparrama pelo chão, até as novas descobertas de ser eterno enquanto durar e, ainda sim, não ver nenhum fragmento da vida do Amor vagar livremente. É reconhecer a derrota pro desconhecido, é ser vencedor sem saber. É só exercer o direito de amar, pois quem não sabe amar ou não ama, jamais merecerá ser amado.

No fundo, amar é como nas histórias tolas que se embasam nos clichês quase mitológicos. Só que os personagens não querem viver sob o pretexto de serem felizes para sempre. Eles não aceitaram isso. Eles só querem as reticências no final... e que seja eterno enquanto dure, de preferência que se prolongue, como o final desse texto. Ou seria um simples desabafo... ?



Não sei...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O ultimo capítulo das festas paralisadoras


Essa é a primeira vez que venho escrever nesse blog depois do boom das festas de fim e início de ano estourar nas nossas cabeças como os fogos de Copacabana. É triste ter de sentar pra escrever depois de várias doses de cachacinha amarela, copos de cerveja e dias de férias, no entanto, vou tentar juntar um pouco do que fiz no natal e ano novo e o que a princípo farei nesse carnaval. Bom, começando pela festa mais consumista do ano, a minha foi muito boa. Primeiro que passei com a minha namorada. Foi também a data de um amadurecimento extra na nossa relação, que nos passou uma credibilidade e afinco maior ainda pra tentativas de mais avanços futuros. Na virada de ano, poucas coisas se diferenciaram. Mais bebidas, beijos e declarações de amor, vindo acompanhado de novas e importantes amizades. Agora o carnaval é que eu ainda não sei. Depois de trocar presentes de amigo oculto, fazer contagem regresiva e ficar olhando pro alto feito um bobo curtindo luzes artificiais, aí vem o carnaval... O carnaval é a melhor festa pra quem gosta de se fantasiar, de pegação, de jogar aquelas neves artificais nos outros... mas também é uma festa que faz pra muitas pessoas tanto sentido, que elas escolhem como parte da vida. Eu particularmente, apesar de gostar bastante dos blocos, me refugio sempre em alguma praia cheia de gente que mora perto da minha casa e a noite vou comer pizza pra reencontrar com o Rio.
O meu ideal nessas festas é mesmo arranjar uma maneira ímpar de se divertir antes de cair na mesmisse. Elas são de muitas formas negativas, porém, de outras positivas, claro que se você pensar na sua individualidade. Mas se pensarmos no coletivo, essas festas atrasam bastante coisas que são de suma importância não só para o país, mas para centenas e milhares de pessoas que dependem do funcionamento de determinado orgão. Mas, isso não significa tanta coisa, não é? E cuidem-se aqueles que necessitam, os feriados vem aí...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Oh! Marido Infiel - Sessão Conto


Lá estava ela, deitada na cama da irmã, chorosa e com ódio da vida. Chorava um triste acontecimento que seu filho lhe contava pelo telefone. O tal acontecimento era sobre seu marido, que aproveitando de uma separação breve e acometido por um ciúme infernal de outro homem, colocou uma sirigaita dentro de casa. O filho, sofrendo os males de ter uma madrasta, não se conformava com algo tão turbulento, e não acreditava que ele, sendo um príncipe quando ainda estava sob as asas da mamãe podia lavar a garagem e dormir no escritório com a presença dessa mulherzinha. Para piorar, a tal amante levara consigo dois filhos e eles estavam gozando de todos os direitos que ele tinha. Principalmente sobre os alimentos que continham na sempre cheia geladeira e dispensa.

- Mãe, essa mulher apareceu de onde? A senhora tem que voltar pra casa! Eu já não agüento mais essa vida de empregado. Se a senhora não voltar – berrava o filho em desespero, ao telefone - , vou enlouquecer!

Ele, o filho, sempre fora meio fresquinho. Criado entre duas irmãs mulheres, era homem-macho, mas tinha lá suas vontades por ser o caçula. De quando em quando, dava um chilique pra conseguir o que queria e agia habilmente com a dissimulação que adquiriu com os anos da infância. Mas agora, estava com toda a razão. Estava sendo humilhado na mão da tal bruxa-madrasta que o pai tinha colocado dentro de casa. Um absurdo!

A mãe e mulher, sofria bastante com a notícia. Mas se impunha como a vítima forte, daquelas que se voltam contra o malfeitor. As piores. Estava ela disposta a acabar com aquela palhaçada. Vivia resmungando pelos cantos o que faria se chegasse lá de supetão e encontrasse aquele cafajeste dando abrigo a outra mulher que não fosse ela. E ainda por cima sem o borogodó que ela tem. Uma branca! Vê se pode!

Saiu em disparada da casa da irmã e entrou num táxi.

- Moço, me leva para o aeroporto! – ia acabar com aquela “festinha” dentro de casa. – E anda que estou com pressa!

- Mas a senhora está sem bagagem! – perguntou o motorista interessado e fuxiqueiro.

- E daí?!

Ela ia descer o braço nos dois e ia armar a maior quizumba. Antes, ligou para o filho e avisou que estava indo embora e logo estaria em casa para tocar a estranha para a rua. Comprou uma passagem e embarcou duas horas depois. Somente com um livro que comprou no aeroporto. Desceu do táxi vindo do aeroporto de sua cidade, já na porta de casa com a cara amarrada. O carro que o filho tinha que lavar na sua ausência não estava mais... achou estranho e pediu a Deus que seus planos não fossem interrompidos. Entrou sorrateiramente na casa que ela arrumou e lavou tantas vezes. A casa que fora profanada por aquele imundo. O cachorro não estava no quintal, e portanto devia estar se acolhendo da chuva fraca que caía, na área. Ligou a luz da sala e foi direto ao quarto já com os ânimos exaltados, abriu a porta e nada. Com um pavor já lhe correndo nas espinhas, abriu o guarda-roupa para conferir se tudo ainda estava no seu devido lugar – Vai que esse louco me largou aqui, sem nada e sem ter como pagar as contas -, tudo estava como ela deixou antes. Então, se encaminhou para o escritório. Os dois deveriam estar se lambuzando naquele carpete escolhido com tanto carinho por ela, a raiva voltou a dar lugar ao desespero. Nada! “Meu Deus - pensou ela -, cadê os safados? Nem Astoufinho estou vendo.” Foi quando se encaminhou para a cozinha. Lá estavam os amigos e vizinhos de quem ela mais gostava. Todos eles. Até os amigos do boliche, lá se encontravam, as escuras para lhe desejar uma boa volta. O filho e o marido, riam em um canto no acender as luzes, gritando: "SURPRESAA!!!" Ela, comovida, nada disse e foi beijar os amores de sua vida.

Até hoje não se sabe se a tal amante existiu ou se era apenas uma armação para ela voltar ao lar. Se bem que para ela, não importava. As aparências iriam continuar, como sempre.